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Alegria no Ambiente de Trabalho



A alegria é algo que o ser humano busca ao longo de toda sua existência. Só que o significado de ser feliz para uns, tem uma conotação totalmente diferenciada para outros. Isso deverá se manifestar de acordo com a personalidade, os sonhos, os anseios, a experiência que cada indivíduo adquire ao longo de sua vida. Se encontrar a felicidade na vida pessoal é sinônimo de devaneio para muitos, quanto mais desejá-la para que se faça presente no meio organizacional.
“Outro dia fui questionado sobre o que falta para a melhoria das relações no ambiente de trabalho. A resposta foi automática: ‘Falta alegria! Falta que as pessoas queiram fazer o que estão fazendo e jamais façam somente pela obrigação ou pela remuneração. As pessoas precisam ser mais ouvidas e a arte está justamente em encontrar a conexão entre o querer e o precisar fazer. É a magia de fundir meta pessoal e meritocracia na mesma partitura”. Esse é o pensamento de Dill Casella, consultor organizacional que direciona seu trabalho para o campo motivacional e a área de desenvolvimento gerencial. Em entrevista concedida ao RH.com.br, Casella enfatiza a participação constante do líder junto à equipe, ao destacar que os liderados devem ter a chance de também conduzir suas ações, ou seja, precisam de liberdade para expressar seus talentos. A atuação do gestor e da área de Recursos Humanos, segundo ele, provoca impactos diretos no comportamento dos colaboradores. Talvez esse seja um bom momento para refletir como está o clima da sua equipe, da sua organização. Aproveite a leitura!

RH.COM.BR - As organizações buscam cada vez mais atender às expectativas dos profissionais, como forma de reter os talentos corporativos. Tornar o ambiente de trabalho alegre é fator estratégico?

Dill Casella - Considero extremamente importante e estratégico para qualquer empresa. O dia-a-dia corporativo tem sido muito estressante, cheio de metas possíveis e impossíveis de serem alcançadas, surgem desafios novos a cada dia, onde se exige mais e mais dos colaboradores. Muitas empresas se esqueceram que lidam com gente. São seres humanos que fazem a “roda girar”, que apertam o botão, que produzem e interpretam relatórios. Se isso acontecer de forma focada, energizada, com atmosfera para cima, o contexto de time está formado. Já reparou, por exemplo, que as melhores seleções de futebol e de vôlei do Brasil fizeram as melhores apresentações quando seus jogadores vibravam e celebravam conquistas durante as competições?

RH - É, de fato, possível promover a alegria no ambiente de trabalho?

Dill Casella - Não é fácil. É preciso ter realmente coragem para querer gerar alegria no ambiente de trabalho. O papel do líder, nesse sentido, é fundamental. Muitas vezes ele quer, mas teme perder o controle sobre suas decisões e sair do seu foco de atuação. Então, opta pelo tradicionalismo, até por um ambiente mais austero, jogando na defensiva. Para que a alegria se faça presente no ambiente corporativo é fundamental que o líder dê autonomia e liberdade, a fim de que os liderados também tomem suas próprias ações. Sempre digo aos gestores: liderem como o vento empurra um veleiro. Dêem condições, saiba para onde ir, mas jamais tentem pilotar o veleiro apenas com suas próprias mãos. O líder que foca em detalhes mínimos não seduz o colaborador a fazer de “bom grado” e ainda perde tempo para conduzir sua orquestra como um todo. Ter ética também é indispensável. Um “líder” sem ética, simplesmente não lidera.

RH - Isso significa que o estreito relacionamento entre líder e equipe é indispensável para um meio corporativo alegre?

Dill Casella - Lógico! Muito mais que o estreito relacionamento é o exemplo da figura do líder que nos contamina. Já tive líderes que, ao final de determinadas reuniões, sentia vontade de aplaudi-los. Eram verdadeiros maestros que nos conduziam a tocar as notas ‘sol’ e ‘lá’, nos faziam crer e enxergar horizontes. Outros, no entanto, olhavam o tempo todo para as notas ‘si’ e ‘mi’, eram egocêntricos despreparados, incapazes de seduzir os liderados.

RH - Qual o comportamento de uma organização alegre?

Dill Casella - Tive o privilégio de montar uma equipe com características que expressam alegria, mesmo fazendo parte de uma empresa tradicionalista. E o resultado foi maravilhoso. Lembro-me que outros setores e profissionais vindos de outras regiões, quando entravam em nossa filial, diziam sentir algo de muito bom naquele ambiente. Nós nos gostávamos muito, tínhamos todos, todos, a absoluta ciência de onde deveríamos chegar, ou seja, atingir metas coletivas, além das individuais, e celebrávamos diariamente resultados. Desde os menores aos mais significativos resultados. Tudo era celebrado voluntariamente por todos, com muito amor. Falando em amor, um dos livros mais interessantes que li nos últimos tempos foi “O Amor é a Melhor Estratégia”, de Tim Sanders, lançado pela Editora Sextante. Refere-se às possibilidades de enriquecimento do convívio humano.

RH - Que reflexos diretos e indiretos a felicidade gera às empresas e aos profissionais?

Dill Casella - Quando a felicidade se faz presente na empresa, a informação flui, os sentidos de colaboração e de conquistas aparecem. Surge o verdadeiro conceito de time, de equipe. Costumo perguntar em meus treinamentos: “Sua equipe é um time ou um ringue?”. E muitas vezes, o silêncio sepulcral toma conta do ambiente e os olhares, ora assustados, ora debochados, mostram quanto os líderes ainda estão para serem desenvolvidos, alertados e amadurecidos.

RH - Atualmente, tornar uma empresa alegre é uma tarefa muito complicada?

Dill Casella - Muito difícil, sim. Não é uma decisão que simplesmente se toma de um momento para outro. Não se gira um botão e pronto: a empresa é feliz. Para que isso ocorra, é preciso uma mudança cultural que tem que ser muito desejada e permeada dos escalões superiores para os demais colaboradores. Na mesma medida que tem muita gente pré-disposta, existem muitas pessoas céticas, duvidando dessas ações. É muito mais que fazer um projeto ou um programa para tornar a empresa mais feliz. É uma questão cultural. E mudar culturas, na maioria das vezes, é um processo lento.

RH - Que fatores facilitam a "entrada" e a "permanência" da alegria em uma empresa?

Dill Casella - Além do desejo e do envolvimento dos líderes, fatores como o estabelecimento de metas comuns, o incentivo a rodízios e o gerenciamento de distorções de comunicação são mágicos e fundamentais para que o ambiente corporativo seja contaminado pelo sentimento de alegria entre os funcionários.

RH - Quais os fatores que complicam a existência de uma empresa feliz?

Dill Casella - Não sabemos quando vamos morrer e o que vai acontecer conosco no futuro, não é mesmo? Podemos fazer nossas metas, ajustá-las, persegui-las, mas a graça da vida está justamente nesse grande mistério da “chamada lá de cima”. Algumas empresas, por incrível que pareça, ainda no século 21, estão com seus futuros desenhados e seus colaboradores conhecem profundamente os caminhos que irão seguir. É verdade. Falo de mercados controlados, de parte de pessoas que trabalham em órgãos públicos, por exemplo. Conheço muitas dessas pessoas que se importam com seu salário, somente com seus benefícios e o dia-a-dia da empresa é uma câmara de compressão. Vivem um dia após o outro sem a celebração do novo, do desafio. Pessoas assim, não encontram a felicidade no trabalho.

RH - Diante da constatação de uma equipe "triste", que providências o senhor aconselharia para um gestor adotar?

Dill Casella - Incentivar a prática artística de fora para dentro do ambiente de trabalho, ou seja, dar oportunidade para que o colaborador tenha “momentos de artista”, fora do horário de trabalho. Trabalhando o hemisfério direito cerebral, através da música, teatro, artes plásticas, o colaborador, com esse espírito artístico fluindo, permeia e compartilha a alegria com seus colegas e líderes.

RH - A atuação efetiva da área de RH é fundamental para que exista alegria do ambiente corporativo?

Dill Casella - A área de Recursos Humanos deve atuar efetivamente e com liberdade por todos os segmentos e os departamentos de uma corporação. Em parceria com as lideranças dever assumir a postura de dar exemplos a serem seguidos por todos os colaboradores. Em todas as empresas que passei, via a área de RH como uma referência de comportamento. Quando eram “para cima”, a atmosfera da empresa também era. Quando era somente o Departamento Pessoal, a atmosfera era austera e sem vibração alguma.

RH - Que colaboração o profissional de RH pode dar no dia-a-dia, para que o meio organizacional seja feliz?

Dill Casella - Além de ser exemplo para os demais profissionais que atuam na empresa, poderá apresentar modelos dentro da organização, fomentando a cultura e a experimentação artística, através de workshops, cursos, mostras, espetáculos, enfim, tudo o que dê estímulo positivo às pessoas. Poderá ainda direcionar e orientar os colaboradores de acordo com suas habilidades e preferências artísticas. Quando a atmosfera artística estiver absorvida pela grande maioria, o RH poderá ser o grande maestro, agora também em atividades próprias da empresa. Isso também tem uma magia que traz um grau de felicidade incomparável.

(entrevista concedida em outubro de 2008)

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