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Palestrante Dill Casella

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ESTOU CANSADO DE CHUTAR NA TRAVE...



Há algumas semanas, recebi e-mail de leitor de meus artigos e confesso que o mesmo tem “martelado” minha consciência nos últimos dias. Algo como um refrão de música, de ditado popular que “cola” e não desgruda dos ouvidos desde o momento que você acorda até quando você vai dormir com ele.


Analisando friamente o texto, notei tratar-se de um processo que enfrentamos vez ou outra. Aquele tipo de preocupação cujo conselho de avó largamente utilizado, quer seja na alegria ou tristeza é o seguinte: “calma, isso passa...”


Lembrei-me imediatamente de minha irmã comentando “Tempo Perdido” da Legião Urbana, ao ouvir a canção pela primeira vez: “Nossa! Isso acontece com todo mundo!!”


Bom, o que o leitor me disse (e prefiro preservar sua identidade) foi o seguinte: “Caro Dill, sou profissional da área comercial, atuando com prestação de serviços. Tenho histórico de sucesso e confesso que foi uma batalha chegar a esse ponto: muitas vitórias e derrotas, suor e celebrações!! O fato é que nos últimos dois anos, não sei o que tem acontecido. Avanço em minhas negociações, apresento projetos interessantes, soluções e tenho uma receptividade interessante de meus clientes. Chegado o momento da finalização, de “bater o martelo”, da definição pelo MEU produto, acabo perdendo uma parcela significativa para a concorrência ou para o “acaso” de o projeto simplesmente deixar de existir. No caso da concorrência, tenho notado que perco para gente “fraquinha”, sem muito conteúdo e inovação. Quando o projeto simplesmente é arquivado, fico com a sensação de não ter conseguido “fazer brilhar os olhos” do cliente a ponto de realizá-lo de qualquer maneira...Será que estou envelhecendo, não estou percebendo e meus conceitos estão ultrapassados? Será que o mundo caminha para a mediocridade e atuo em esfera muito sofisticada? O que é então? Sabe, tenho tido vontade, nos últimos meses, por muitas vezes é de “bater a cabeça na trave...””


Ufa...e você que está lendo este artigo, o que está achando?


Vamos praticar um pouco de “futebolês corporativo”! Chutar a bola na trave não é gol, mas é “quase gol”...Por outro lado, “quase”, no mundo competitivo atual, não significa NADA! Chutar a bola na trave, demonstra que a direção não está tão errada, faltando um mero ajuste, talvez um pouco mais de treino ou de tranqüilidade para finalizar...Talvez mais correto seja treinar um pouco mais o processo de “fechamento” da venda. Colocar-se na posição do cliente, entrar em sintonia com ele, abusar da técnica de fazê-lo falar mais e atuar de maneira a atender seus anseios são tópicos a serem considerados.


A concorrência é um fator impossível de ser evitado (ainda bem!) e salutar para todas as empresas! Junto com o cliente, é o elemento responsável por nosso desenvolvimento pessoal e profissional, pelos nossos resultados e até pelo nosso ego. A “concorrência fraquinha”, como descrita pelo leitor, pode estar conseguindo atingir compradores mais sensíveis a argumentos “populares” e do cotidiano. Jamais tente tocar ópera em um baile funk!!! Conheça seu interlocutor e tente acompanhá-lo.


Como já disse em outro artigo, “seja um camaleão sem jamais perder sua identidade...”. Hoje vivemos uma verdadeira “confusão” de valores e não vai ser com seu cliente que você irá consertar o mundo. Nesse sentido, faça sua parte de outras formas, como por exemplo, através do voluntariado, do compartilhamento de valores culturais e educacionais.


Perder faz parte do processo, como em qualquer atividade ou esporte. Minha sensação é que o leitor está “exercitando em demasia” tal verbo, enaltecendo a derrota em detrimento às celebrações de vitória. Vibrar positivamente não faz mal a ninguém! Concentre-se no que é bom e vitorioso que o resto virá (está na moda falar da lei da atração, e, de fato, ela funciona de verdade!!).


Caro leitor, “bater a cabeça na trave...” só se for por acidente...Voluntariamente é sinal de falta de amor próprio com uma pitada de sensacionalismo. Mude e aja de verdade!! Como estão seus valores pessoais, sua família, etc.? Como você está cuidando de seu corpo? Lembre-se “mens sana in corpore sano...”


No mais, acredite em seu potencial, de verdade!! Ele é uma forma de energia renovável, pode apostar!! Recentemente, tive a oportunidade de assistir novamente ao brilhante filme “Villa Lobos – Uma Vida de Paixão” (direção de Zelito Viana) e acompanhar a determinação e convicção do nosso grande maestro, em estar no caminho certo, apesar de passar grande parte da vida sem ser compreendido por grande parte do público. ‘‘A massa é horizontal, o público é vertical e o povo, como a minha música, é diagonal’’, disse Villa Lobos em uma entrevista.

Quando indagado sobre o que queria dizer diagonal, subitamente afetado pela falta de palavras, Villa responde brilhantemente o indizível: "Cada um tem que descobrir o seu diagonal".


Achemos o chute em diagonal e comemoremos os gols de nossas vidas!!


Fonte: Dill Casella

Dill Casella é autor do livro “Atitude e Altitude” pela Editora Vozes, de dezenas de artigos publicados em mídia impressa e digital e um dos palestrantes mais criativos e contratados atualmente no Brasil!


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