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Palestrante Dill Casella

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“Todo dia ela faz tudo sempre igual


Me sacode as seis horas da manhã


Me sorri um sorriso pontual


E me beija com a boca de hortelã


Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar

E essas coisas que diz toda mulher


Diz que está me esperando pro jantar


E me beija com a boca de café...”


Cotidiano (Chico Buarque)

Hoje acordei com essa canção na cabeça. Na verdade, pouco dormi, tentando relacionar essa fantástica obra prima do Chico Buarque com as rotinas impostas pelo mundo corporativo.

Chico Buarque, de maneira muito sutil e poética, consegue retratar com muita sensibilidade o dia a dia de um relacionamento, onde vários aspectos são percebidos em apenas alguns versos.


Chama-me a atenção a parte central da canção e que retrata um momento do personagem e, mais ainda, uma provável atmosfera corporativa:


“Todo dia eu só penso em poder parar



Meio dia eu só penso em dizer não


Depois penso na vida pra levar

E me calo com a boca de feijão...”

Estaria o personagem, através do autor, vivenciando e referindo-se à rotina corporativa, às discordâncias, a um plano de mudança, à vontade de propor suas idéias, de ser ouvido pela sua empresa?


Em seguida, estaria o mesmo assumindo uma posição conformista ou até mesmo mais controlada em relação aos seus espasmo de mudança, preservando seu cargo, obrigações, contas, compromissos, etc.?


O fato é que a rotina faz parte do dia a dia corporativo. Ainda bem!! A rotina (ou processo, ou ainda, procedimento de rotina) minimiza o erro, procura garantir a linearidade do envolvimento de colaboradores, garante qualidade de produtos, da comunicação,etc.


Sem contar os desenhos (e redesenhos) de processos, que ajudam muito na localização e destino das ações, bem como garantir as responsabilidades pela condução e finalização dos mesmos.


Já imaginaram como seria difícil repor mercadorias, ou até mesmo obter e fornecer crédito, fazer uma simples compra de CD pela internet sem seguir um procedimento?


Segundo o Aurélio, rotina é, entre outras definições, um caminho já percorrido e conhecido, em geral trilhado maquinalmente. E aí é que, na minha opinião, mora o perigo da rotina!!!! É a velha história de seguir um trilho bem definido ao invés de tentar uma trilha com várias possibilidades de se descobrir o novo!!


Frases do tipo: “faz parte do procedimento” ou “não posso fazer nada...são as normas da casa...”, em muitos casos, exemplificam o típico seguidor de procedimentos, que parece sentir prazer em esconder-se atrás dos mesmos...


Muitos colaboradores e até alguns próprios empregadores, acham que se a rotina simplesmente for realizada, a missão diária está cumprida!! Isso compromete não só a capacidade inovadora da empresa; compromete, principalmente, o grau de motivação dos colaboradores.


A sistematização dos processos, incorporados rigidamente às atribuições dos colaboradores e levada ao extremo, sem ao menos se considerar os sentimentos dos funcionários, traduz-se em um profundo risco para as empresas.


É claro!!! O indivíduo não se sente motivado a simplesmente cumprir uma rotina. Como já disse em outro artigo (leia o artigo “O que os livros não falam sobre liderança”), o que motiva alguém é quando ele quer, de fato, fazer. E o querer fazer compreende sua participação, suas idéias, seu envolvimento, um desafio.


O “cotidiano corporativo” é desgastante!! Sem contar outros desgastes pessoais externos que, em muitos casos, interferem no “estado colaborativo” dos funcionários.


A rotina é importante sim e, como tudo na vida, em excesso é prejudicial. Precisa ser equilibrada com estímulos de criatividade, participação e desafios.


Chico Buarque poderia ter chamado sua canção de “Rotina”. Acho que ficou mais suave, não é “Meu Caro Amigo”? Ficou como “Tatuagem” em nossas lembranças para despertarmos a “Construção” de “O que Será”. Com “Olhos nos Olhos” e “Roda Viva”, mudaremos nosso “Cotidiano”. Fique tranqüilo: “Com Açúcar com Afeto”, “Vai Passar”!! “Até Segunda Feira”!!!




Cotidiano (LETRA COMPLETA) - Chico Buarque


Todo dia ela faz tudo sempre igual


Me sacode as seis horas da manhã


Me sorri um sorriso pontual


E me beija com a boca de hortelã


Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar


E essas coisas que diz toda mulher


Diz que está me esperando pro jantar


E me beija com a boca de café


Todo dia eu só penso em poder parar


Meio dia eu só penso em dizer não


Depois penso na vida pra levar


E me calo com a boca de feijão


Seis da tarde, como era de se esperar


Ela pega e me espera no portão


Diz que está muito louca prá beijar


E me beija com a boca de paixão

Toda noite ela diz pra eu não me afastar


Meia-noite ela jura eterno amor


Me aperta pra eu quase sufocar


E me morde com a boca de pavor


Todo dia ela faz tudo sempre igual


Me sacode as seis horas da manhã


Me sorri um sorriso pontual


E me beija com a boca de hortelã


Autor: Dill Casella

Dill Casella é autor do livro “Atitude e Altitude” pela Editora Vozes, de dezenas de artigos publicados em mídia impressa e digital e um dos palestrantes mais criativos e contratados atualmente no Brasil!


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