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Palestrante Dill Casella

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Toda empresa tem que ter RAZÃO SOCIAL



Fiz algumas viagens pelo Brasil com o Sr. Carlos Campos – geólogo, professor universitário, um dos maiores especialistas brasileiros em concreto, goiano de origem humilde, feliz, bom de papo, capaz de prender a atenção de um auditório com um simples sorriso sincero!! Algumas almas escolhidas a dedo por Deus são assim e tenho certeza que o leitor conhece alguma pessoa com essas características.


Viagens nas quais, sempre, eu ia para a viabilização comercial e ele para assuntos técnicos. Bons tempos!! Tempos em que, acima de tudo, os dias que antecediam a viagem, inundavam-me de expectativa pela convivência e, principalmente pelo aprendizado, por uma espécie de consultoria pessoal de VIDA!!!


Foram tantas as experiências, tantas as descobertas, os insights!! Acabamos seguindo caminhos diferentes, no entanto, nossa amizade será eterna!! Recentemente, após quase um ano sem nos falarmos, resolvi telefonar-lhe. Foi muito gratificante, prazeroso e, só para não perder o hábito, quando falávamos de empresas, ele soltou uma de suas filosofias e percepções – dessa vez, do mundo corporativo: “Toda empresa tem que ter razão social”.


Convido o leitor a parar um minuto e filosofar... Leve a afirmação ao pé da letra ao preencher qualquer documento de sua empresa: o documento pede “razão social” e você escreve o nome da empresa, OK? Suponho que o principal objetivo de chamar-se “razão social” tenha sido muito mais profundo que simplesmente o nome, não é mesmo? Uma empresa é composta de pessoas, que produz e atende um mercado DE PESSOAS... Então eu pergunto: Qual a VERDADEIRA RAZÃO SOCIAL DA SUA EMPRESA?


Que tal, então, o comportamento social dos colaboradores da sua empresa? São dignos e merecedores de “razão social”? Em muitos casos, aposto que não...Isso me faz lembrar uma descrição do Otto Lara Rezende, após uma visita à Escandinávia: “...tive vontade de conversar com as máquinas e de lubrificar as pessoas”.


Ah, você, como muitos, acha que o governo também não faz sua parte na questão social e por isso não se sensibiliza com a “razão social” da sua corporação... Entendo; então vou lhe contar outra experiência que vivi: após um grande evento em uma cidade, logo na manhã do dia seguinte, notei um senhor recolhendo sacos de lixo, restos de papéis, latinhas, etc. próximo a um lago de onde eu estava hospedado. O senhor não estava mal trajado, muito pelo contrário, estava elegante e claramente notei que pertencia a uma classe de destaque na sociedade. No entanto, pouco incomodado com seu gesto perante quem quer que o observasse. Lentamente me aproximei, tentando entender o que ele estava fazendo.


Fui recebido com um sorriso (do tipo do sorriso do Sr. Carlos Campos!!). Questionado, foi logo respondendo: “Tenho orgulho de agir assim, agora... As pessoas ainda não estão conscientes do que estão fazendo com elas mesmas e, principalmente com seus descendentes. Acabo de ser avô de novo!! É o meu quinto neto e eu amo essas ‘criaturas’ mais que tudo nessa vida!! O Senhor tem filhos? Acho importante começar a conscientizá-los...Fui funcionário de uma multinacional por 35 anos, sempre preocupado com produtividade, lucro, enxugar custos, enxergando sempre somente as metas anuais a qualquer preço, sem me preocupar com suas conseqüências...Hoje faço “a minha parte” e farei isso até meus últimos dias...Vou viver bem sim o resto dos meus dias, mas não sei do futuro dos meus netos...O mundo continua uma selva e os homens cada vez mais irracionais...”


Rapidamente, o senhor despediu-se de mim, objetivando uma embalagem de salgadinho que ameaçava “zarpar” rumo ao meio do lago. Pude ainda ver seus olhos marejados, seu andar cansado, ombros caídos e um certo ar de consciência pesada pelo seu passado de “bons resultados corporativos”... e pela “razão social” limitada ao nome da multinacional...


(Lago) - obra de Nancy Caro


Fonte: Dill Casella

Dill Casella é autor do livro “Atitude e Altitude” pela Editora Vozes, de dezenas de artigos publicados em mídia impressa e digital e um dos palestrantes mais criativos e contratados atualmente no Brasil!


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